O New York Times dedica hoje uma extensa
reportagem a "um país triste, pobre e revoltado". Mas a verdade é que não temos que ser
pobres. Somos um país com imensas riquezas, com sol, mar, boas
características ambientais, boa terra, um povo extraordinário que dá
cartas por onde vive e trabalha. Mas não queremos deixar de ter o último
estado napoleónico, que tudo controla, que chega a todo o lado e a lado
nenhum. Pagamos o que o diabo amassou para sermos dependentes e
subsidiados. Não se cria riqueza e vemos com maus olhos quem a cria. E se algum empreendedor cria postos de trabalho tem imediatamente à perna os que acham que não passa de um explorador do trabalho dos outros. E, pior, tem lucros. A grande meta de vida da maioria de nós é ter um emprego "para toda a vida" No tempo do meu pai a grande sorte era ser funcionário público. No meu tempo era entrar num banco. Agora é estar numa empresa pública subsidiada ou numa qualquer empresa monopolista do regime. E, claro, sempre o estado.
Não deixaremos nunca de ser tristes e revoltados. Não lutamos pelo que acreditamos, com independência, com mérito e com risco. Preferimos uma "vidinha" com ódio aos que fazem pela vida. Seremos sempre tristes e revoltados. Por isso abandonamos a nossa terra e procuramos longe o que aqui não estamos dispostos a procurar. Há séculos que como povo nos portamos assim. Mas hoje já todos percebemos que não temos que ser pobres. Basta deixar de sermos um país de funcionários e de subsidiados!
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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
sábado, 1 de dezembro de 2012
IINTOLERÂNCIA DE PONTO
Das palavras mais versáteis da nossa língua. O "punctus" que, da picada ou estigma do étimo, se generalizou para designar muito do que é marco temporal.
Hoje é o dia marcado para celebrar a nossa independência. À falta de celebração do acto fundador, hoje é também o único que o calendário oficial admitia para celebrar a nacionalidade.
É, portanto, dia de ponto.
Nós gostamos de aniversários. De eventos alegres ou funestos, suscitadores alegria, que queremos reviver e prolongar, ou reflexão de tristeza já temperada. Nós precisamos dos aniversários, referências da vida que vamos construindo e cimento da unidade com aqueles que também os celebram.
As nações têm também os seus aniversários e da mesma forma deles precisam.
O que hoje evocamos é uma das razões por que me sinto civicamente mais solidário com o habitante (que nenhum conheço) da Ilha do Corvo (onde nunca estive) do que com os madrilenos meus amigos com quem, amiúde, compartilho tapas e tango.
Fingindo um debate público que não existiu, quem manda em nós pôs ponto final neste ponto.
O seu ridículo faz com que não mereçam referência os argumentos da produtividade ou da "crise". Como se, para sair desta, não fosse fundamental uma sólida consciência nacional e como se aquela não tivesse de estribar-se na normalidade da vida de cada um.
Não deve ter sido para nos gozar, mas até parece.
Na ante-véspera do dia em que o poder passará a impedir-nos de celebrar a nacionalidade, vem o governo anunciar tolerância de ponto em dois dias inteiros do mês de Dezembro.
São uns pontos!
Com o argumento, pasme-se, de que, como já é hábito não trabalhar à tarde, não valeria a pena fazê-lo de manhã.
Aqui não importam já a crise e a produtividade. Às malvas também a propalada necessidade de alteração dos maus hábitos que nos trouxeram onde chegámos.
Adule-se o povo com o lazer anódino, esqueça-se a história, ignorem-se as raízes.
Somos, afinal, “europeus”, mandam eles.
São uns pontos, é certo. Mas, cuidado, não dão ponto sem nó.E não me merecem qualquer tolerância.
Hoje é o dia marcado para celebrar a nossa independência. À falta de celebração do acto fundador, hoje é também o único que o calendário oficial admitia para celebrar a nacionalidade.
É, portanto, dia de ponto.
Nós gostamos de aniversários. De eventos alegres ou funestos, suscitadores alegria, que queremos reviver e prolongar, ou reflexão de tristeza já temperada. Nós precisamos dos aniversários, referências da vida que vamos construindo e cimento da unidade com aqueles que também os celebram.
As nações têm também os seus aniversários e da mesma forma deles precisam.
O que hoje evocamos é uma das razões por que me sinto civicamente mais solidário com o habitante (que nenhum conheço) da Ilha do Corvo (onde nunca estive) do que com os madrilenos meus amigos com quem, amiúde, compartilho tapas e tango.
Fingindo um debate público que não existiu, quem manda em nós pôs ponto final neste ponto.
O seu ridículo faz com que não mereçam referência os argumentos da produtividade ou da "crise". Como se, para sair desta, não fosse fundamental uma sólida consciência nacional e como se aquela não tivesse de estribar-se na normalidade da vida de cada um.
Não deve ter sido para nos gozar, mas até parece.
Na ante-véspera do dia em que o poder passará a impedir-nos de celebrar a nacionalidade, vem o governo anunciar tolerância de ponto em dois dias inteiros do mês de Dezembro.
São uns pontos!
Com o argumento, pasme-se, de que, como já é hábito não trabalhar à tarde, não valeria a pena fazê-lo de manhã.
Aqui não importam já a crise e a produtividade. Às malvas também a propalada necessidade de alteração dos maus hábitos que nos trouxeram onde chegámos.
Adule-se o povo com o lazer anódino, esqueça-se a história, ignorem-se as raízes.
Somos, afinal, “europeus”, mandam eles.
São uns pontos, é certo. Mas, cuidado, não dão ponto sem nó.E não me merecem qualquer tolerância.
“A tromba”
Nem bom dia. Nem um bom dia ouvi articular-se a partir da boca daquele
semblante carregado de má-disposição. Era uma colecção de clichés do
não-se-deve fazer. Como poderia ser possível?! Ainda insisti em segurar a
porta, considerando uma obrigação fazê-lo. Mas, como seria de supor, não estava
virado para a boa-educação. Essa sim, em falta, mas também o sorriso. Uma
tromba que devia estar exposta num museu. Ou numa exposição de arte
contemporânea, pois é hoje, aqui e agora que se passa.
Chamo-me João Girão. Nasci em Lisboa em 1977, e reparti a minha vida por
Castelo Branco e Torre de Moncorvo. Torre de Moncorvo, no nordeste
transmontano. Terra onde vivo e tento sobreviver. Para além de vos estar aqui a
prender um precioso momento, também costumo criar (porque sim, e porque gosto
deste verbo) umas músicas. O convite partiu de um amigo de família de longa
data. E só poderia aceitar. Porque sim, respondi a mim mesmo. Nunca gostei
muito de me justificar a ninguém. Nem a mim mesmo. Desde miúdo que, sem razão
aparente, considerei que seria mais difícil assim, mas concerteza muito mais
interessante. Mas nunca me conformo com uma resposta dessas: “Porque sim!
Porque não!”. E se as razões se perdem, quando não andamos a justificar
demasiado as razões, somos muito mais responsáveis. Até porque não temos que
partilhar os fracassos.
E resolvi então deixar que a porta se fechasse sobre aquela “tromba”.
Opto por este substantivo, que podia ser adjectivo de muitos desses que não
conseguem articular um bom dia! Ou um obrigado. Ou um sorriso de assentimento.
Cedi a passagem a um desfilar de gente. Nem sequer um deles olhou para mim.
Fi-lo porque quis, mas também porque as razões são mais fortes que a própria
razão. E nem a minha pressa poderia justificá-lo. Neste mundo de forte
concorrência ainda o faço. Mas se não o fizesse, não teria que estar preocupado
com ninguém, nem com nada. Mas comigo ficaria.
Percebo, mais uma vez, qual o tipo de crise com que nos deparamos. É uma
crise não-social-não-económica-não-política. É uma crise de falta. Falta de
princípios, de valores, de ética. E de quem aponte o dedo! -“Oh amigo! Está a
ouvir?! Esqueceu-se da sua cadeira de rodas”- berrei quando o animal estacionou
com a família no lugar de deficientes à porta do hipermercado e saíram todos a
pulular por ali a saber do carrinho para as suas compras despreocupadas… Não é
por ser véspera do próximo feriado esquecido. Até porque para mim isso não
existe. Feriados, férias e fins-de-semana são para quem pode. E eu não posso, e
tenho-os demasiado dependentes de mim. Que mais não seja eu.
Eis senão, quando largo a porta no apêndice nasal do filho da mãe! Não
sou porteiro. Mas também porque não quero. E não admito que os meus filhos
gémeos de 4 anos o pensem: -“Não consigo”. Não pode existir essa palavra. Não
deixo que me absorva esse sentimento. Eu sou capaz. Nem que seja um dia. Eu sou
capaz! Repitam comigo em pensamento: -“EU SOU CAPAZ!”. E vou ser capaz, da
próxima que alguém segure a porta para eu passar, me ceda a passagem, se amarre
para me ajudar a apanhar o saco que deixei cair, que me ajude a estacionar, que
sorria para mim. Vou ser capaz de agradecer. De sorrir. De retribuir. Ou tudo
de uma vez…
(este e todos os
textos deste autor são, com muito prazer, redigidos pelas regras pré(vergonhoso)-novo-acordo
ortográfico)
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