terça-feira, 1 de janeiro de 2013

A Águas de Portugal e o Centrão dos Negócios - por Luis Moreira

 
O PS e o PSD revesam-se no poder atraídos pelos negócios que se fazem à sombra do Estado. É, por isso, que o estado está com "a mão na massa", envolvido na economia de uma forma directa, controlando empresas públicas monopolistas e, indirectamente, em empresas de grupos económicos que vivem das obras públicas, dos contratos, das consultas, das assessorias e dos concursos públicos.

Isto é mais do que evidente e há muito que a maioria de nós chama a estes dois partidos "do arco da governação" o "Partido dos negócios" como se fosse só um, tal é o envolvimento, a cumplicidade. Esta evidência devia levar-nos a outra que, de tão evidente,só não vê quem não quer.

Tirar o Estado, o mais possível, da economia, dos negócios!

Mas a verdade é que, mesmo os que são particularmente activos na crítica ao "Partido dos Negócios" quando, se aventa a hipótese de o estado largar as rédeas da distribuição das fortunas, logo se deixam tolher por um preconceito ainda maior do que aquele. O Estatismo! O estado grande e gordo, que pode tudo e está em toda a parte.

Isto é evidente sempre que se fala em privatizações, como agora que se fala em privatizar a "Águas de Portugal"  . Não por acaso, como bem notou o meu simpático leitor e comentador que tem seguido os meus textos sobre esta eventual privatização, a situação da empresa, bem guardada durante anos, vem agora a público com a imensidão das suas falências e dívidas.

Quem seguiu com algum cuidado o negócio da água, da recolha e tratamento do lixo, do saneamento e da energia, apercebeu-se que a ideia inicial era a criação de clusteres , em que se criassem uma ou duas dezenas de PMEs locais e regionais que , à sombra das grandes empresas do sector, viessem a desenvolver e inovar tecnologias e competências. Como aconteceu com a AutoEuropa que , só no Parque Industrial de Palmela, tem cerca de 70 PMEs suas fornecedoras. Criou um cluster com competências e rigor sem paralelo no país e, hoje, é o mais destacado exportador do país.

Ora, o que se vê é que com o dinheiro e o poder de uma empresa pública a que não faltam as garantias do estado,a Águas de Portugal se converteu num gigantesco monopólio, cheia de dívidas e de falências entre as empresas que criou e cujo controlo manteve no seu seio.E que dizem os nossos amigos que tanto criticam o "Partido dos Negócios"?

Que a água não pode ser objecto de negócio! Pois não, pode é ser objecto de maior transparência e de maior rigor. De uma mais responsável gestão. Deixar-se de megalomanias e de despesismo!

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Candidatos a "sabichões" do ano

Artur Baptista da Silva, José Reis, António José Seguro , Nicolau Santos, Mário Soares, Boaventura Sousa Santos.
Pela altíssima contribuição que prestaram à teoria económica e à acção de governar e que o João Miranda no Blasfémias, resume de forma superior no gráfico a seguir. 
Pinho Cardão, no Quarta República, apresenta as linhas teóricas originais que estes ilustres candidatos desenvolveram nas suas investigações

A Troika é agiota? Nem pensar !

Os que falam em renegociação das condições da Troika não têm sequer o cuidado de verificar quais são elas.
"Os juros que pagamos são o produto da taxa de juro vezes a dívida que temos. A Polónia vai pagar aproximadamente a mesma taxa de juro do que nós em 2012, cerca de 4,1%. Só que a dívida deles é metade da nossa.
O nosso problema não é a taxa, que até está abaixo da média em democracia antes de entrarmos no euro. O problema está na dívida que é enorme. O grande obstáculo orçamental não está nos termos do acordo com a troika, está antes nos défices que acumulámos durante anos a fio. Se o dinheiro vai hoje para pagar juros e não sobra para pagar pensões e salários, não é por causa da taxa de juro, mas das pensões e salários a mais que pagámos no passado.
Para além disso, a taxa de juro que pagamos à troika são só cerca de 3,2%. Os credores privados é que cobram muito mais, resultando numa média de 4,1%. A troika é o nosso credor mais generoso."

E o PS não pede desculpas?

Já todos pediram desculpas menos o PS. Era bom que o fizesse para não andar nas bocas do mundo.http://seraqueosanjostemsexo.blogspot.pt/2012/12/finalmente-desculpas.html
"Espero agora que o PS ou pelo menos os responsáveis da Universidade de Verão do PS apresente também desculpas, se não ao público, ao menos aos seus militantes. "
Andam calados que nem ratos. Porque será? Não seria sério que o PS tomasse posição sobre o assunto? Esteve ou não esteve? Foi ou não foi?
 Mas eu continuo na minha. Não foi sozinho que conseguiu ir ao Expresso da meia Noite debater com os outros..
Se nao foi telefonema de PS, foi de avental. Mas teve de ter boa indicação para isso e ela não veio da Academia do Bacalhau.
E ha-de ser por isso que estao todos calados que nem ratos. Porque patrocinaram. (Zazie)

O Mar - porque somos pobres




Os Japoneses descobriram no fundo do Pacífico uma reserva gigantesca de terras - raras cheias de minérios essenciais para o desenvolvimento de novas tecnologias.

Agora veja as nossas preocupações em relação ao nosso mar:" Tiraram o mar à Defesa e a Marinha não gostou"!

Na nova orgânica do governo o Mar passou para o super Ministério da Agricultura e do Mar, julgava eu que com toda a razão. O Mar é da Marinha para a defesa militar e é, de um ministério que tenha como objectivo desenvolver a exploração das suas riquezas. Ainda não vi a Marinha à pesca, nem a apanhar algas marinhas, nem vejo que os submarinos passem para o Ministério da Agricultura e do Mar.

Andamos há muitos anos a fazer trabalho de investigação para conseguir que as Nações Unidas nos reconheçam a propriedade da Zona Marítima próxima da Madeira e Açores e do Continente, o que seria a segunda maior Zona Marítima exclusiva do mundo logo a seguir à dos Estados Unidos.O que se tem encontrado no fundo do Mar, especialmente junto dos Açores, é potencialmente de uma grande riqueza, mas a verdade é que duvido muito que com a atenção que os vários governos têm devotado ao mar, alguma vez cheguemos a ter uma notícia destas, a não ser que alguém o explore por nós.

O saudoso Dr. Hernâni Lopes deixou muito trabalho feito no que ao Mar diz respeito, em estratégia e estudos muito sérios sobre os caminhos a trilhar, mas a prioridade nunca foi nenhuma. Discutimos TGVs,  Aeroportos e autoestradas, mas sobre o Mar o mais próximo que conseguimos foram os submarinos e abater a frota de pesca.

Canalizar para o Mar meios e reforçar a sua importância entre os objectivos nacionais, traria grandes vantagens para o país, em postos de trabalho, investigação, novas tecnologias e criação de riqueza, mas isso requer políticas de longo prazo, estratégia, e capacidade de manter um rumo com fortes convicções e, não, governar ao sabor dos lobbies ou de objectivos de curto prazo.

Enquanto os grandes desígnios nacionais não forem claramente definidos e serem, para cumprir, seja quem for que acidentalmente esteja no governo, seremos sempre pobres. Veja a tecnologia que se está desenvolver para a exploração do fundo dos oceanos, seguindo o link, aí em baixo.

Nós temos trabalhado com um submarino não tripulado, desenvolvido pelos Noruegueses, se não estou enganado, que nos tem dado a conhecer novas espécies piscícolas, descobrir as famosas "fumarolas" no fundo do mar, e ter consciência das enormes potencialidades económicas que jazem no fundo do mar à espera de quem chegar primeiro. Que se saiba temos uma "Unidade de Gestão" que trabalha no reconhecimento da Zona Económica Marítima com o intuito de obter a certificação junto das nações Unidas.

E, a mais longe não chegamos!


Feliz Ano 2013

Para todos sem excepção.

domingo, 30 de dezembro de 2012

O estado trata da pobresa. A sociedade dos pobres

Os que defendem o estado que nunca ajudou os 20% ( dois milhões) dos mais pobres dos nossos concidadãos são os que ficam muito indignados com os movimentos sociais de apoio aos pobres. Dizem eles, num lampejo de grande lucidez, que se deve acabar com a "caridade" para dar lugar "à solidariedade". Como se uma ocupasse o lugar da outra. É, evidente, que enquanto houver pobres há lugar para as duas. Interessa lá que alguém não tenha que comer um prato de sopa se isso é "caridade"?
Ajudam-se os pobres porque eles podem ser um perigo. Se um dia tiverem noção da sua força...é melhor tê-los "bem comidos". Outros pensam que é preciso mantê-los minimamente em condições de trabalharem se forem chamados. Isto é, numa noção e noutra , as pessoas deixaram de ser "seres humanos". O grande mal é que a assistência social estrutura uma categoria de cidadãos "os pobres". Categoria esta que não tem qualquer  direito em reivindicar porque a "assistência" é o único ramo da administração pública "em que os interessados não têm qualquer participação."
Só há uma forma de sair deste circulo vicioso. Que o estado e a sociedade civil com políticas activas de trabalho e de solidariedade social possam "destruturar" a categoria de cidadãos pobres.
Como se constacta em Portugal, nestes quarenta anos, não há diferença nenhuma entre "solidariedade" e "caridade".  Sob o ponto de vista do pobre não há diferença nenhuma!  
PS: a partir de um texto da " Actual - expresso"